crianças

No acompanhamento psicológico das crianças procura-se definir uma estratégia terapêutica, tendo como base a premissa de que é essencial avaliar qual a terapia mais eficaz, considerando-se, para o efeito, a criança em causa, as condições que esta apresenta, o seu nível de desenvolvimento, as perturbações que demonstra, as suas condições ambientais bem como a possibilidade de se desenvolverem intervenções paralelas com os pais, a família, meio ou outros sistemas. Importa realçar que os tratamentos psicológicos se encontram associados a melhorias significativas e que cerca de ¾ das crianças melhora após o tratamento, sendo que os efeitos da intervenção se mantêm após o fim do mesmo.

Esta simples constatação tem implicações clínicas e teóricas muito importantes. O tratamento de dificuldades comportamentais e emocionais vividas pelas crianças exige atenção sobre as diferenças no seu desenvolvimento cognitivo e emocional e sobre o conjunto de sistemas sociais no qual a criança funciona. Com efeito, nenhum factor ou agente único parece constituir a “causa” da psicopatologia na infância. Ao invés, as perturbações das crianças são determinadas de forma múltipla, sendo que uma série de factores interagem na contribuição do aparecimento de problemas comportamentais e emocionais. Factores biológicos, genéticos, interpessoais e ambientais, influenciam-se reciprocamente, colocando as crianças em risco de desenvolvimento de dificuldades ao nível comportamental, emocional ou a outros níveis. De forma idêntica, as crianças possuem um aporte de factores interpessoais, cognitivos, sociais e outros, que cumprem uma função protectora, diminuindo o risco de desenvolverem psicopatologia. São todos estes factores que constituem o foco da intervenção clínica, a qual deve ocorrer de forma tão atempada quanto possível.

A escolha da psicoterapia mais adequada compete ao psicólogo responsável pela entrevista inicial, o qual encaminhará a criança para um outro colega sempre que a situação assim o exija. A evolução da terapia, dessa forma, inicia com uma cuidadosa avaliação dos factores que contribuem para as dificuldades comportamentais e emocionais da criança. Segue-se a implementação de um conjunto de intervenções cognitivas, comportamentais e de natureza interpessoal, as quais foram devidamente identificadas e seleccionadas previamente.

Procura-se que tanto as crianças quanto os pais ou outros agentes entendam o tipo de intervenção seleccionado e se motivem e empenhem com vista à sua eficácia. A intervenção é, contínua e sistematicamente, revista com a criança e com as pessoas responsáveis pela mesma.