Ansiedade nas crianças

ANSIEDADE NAS CRIANÇAS & ANSIEDADE DE SEPARAÇÃO

A ansiedade constitui uma resposta primária de defesa perante situações percebidas como ameaças de danos ou desafios, a qual visa a manutenção da integridade física e psicológica do indivíduo. Ao longo do desenvolvimento humano, a ansiedade assume formas adaptativas e não adaptativas. Nos primeiros anos e na infância, a ansiedade não adaptativa traduz-se em fobia ao escuro, fobias específicas, fobia à escola e ansiedade de separação.

Efectivamente, não raramente, birras e amuos marcam os primeiros dias na casa de avós ou de outros familiares próximos, na pré-escola ou em qualquer outro lugar em que os pais não se encontram. “Eu quero a minha mamã”… “Eu quero o meu paizinho”… expressam, entre soluços, níveis elevados de ansiedade na ausência dos pais ou de familiares mais chegados, designada por ANSIEDADE DE SEPARAÇÃO .

A ausência dos pais exacerba, na criança, o medo primitivo de ser abandonado, de que algo de mau possa acontecer, de perda dos pais ou de ficar só no mundo. Vulgarmente, as crianças verbalizam “ não quero ficar sozinha… quero ir ter com o meu paizinho… onde é que ele está?” , mesmo quando se encontram em ambientes providenciadores de suporte social positivo. Apesar da disponibilidade de outros significativos (ex., educadora, avós, amigos dos pais…) podem recusar o colo e a atenção e não acalmarem com ninguém, mesmo durante longos períodos de tempo. Este tipo de ansiedade é comummente acompanhada por sintomas fisiológicos, como seja a respiração acelerada, taquicardia (batimento cardíaco acelerado), agitação (ex., movimentos dos braços e pernas ou agitação interna), choro, vómitos e/ou diarreias, entre outros. Mais raramente, podem acontecer sintomas regressivos, como enurese ou encoprese, voltar a dormir com os pais, pedir a chucha ou regredir na fala.

Na etiologia da ANSIEDADE DE SEPARAÇÃO , encontra-se uma multiplicidade de factores. Alguns progenitores não facilitam a existência de períodos de ausência gradualmente maiores a fim de promoverem a educação para a separação. Por vezes, um ou ambos os pais desenvolvem uma ligação excessiva aos filhos, o que normalmente se agrava em contextos particulares, como seja o caso do divórcio dos pais, sobre-preocupação da mãe, crenças erradas acerca da maternidade e/ou paternidade. O próprio excesso de protecção e medo de que ocorra algo que prejudique a criança, por negligência ou descuido, faz com que os pais não confiem em ninguém para tomar conta dos seus filhos. O que facilita a emergência e reforço da crença “só estou bem e segura com os meus pais!”. Por diversos motivos, as crianças podem estar sujeitas a uma socialização pobre, ausente ou limitada. É o caso, por exemplo, das crianças que não têm a oportunidade de conviverem com outras da mesma idade, ficam sozinhas em casa ou frequentam locais especiais (ex., colégios internos ou lares de acolhimento). Por outro lado, o medo dos próprios pais pode revelar-se um factor predisponente da ANSIEDADE DE SEPARAÇÃO, o que se traduz em preocupações excessivas e, por vezes, irrealistas (ex., medo de rapto, maus tratos, estranhos…).

Aos pais e outros educadores, importa saber que a ANSIEDADE DE SEPARAÇÃO tende a ser reforçada pelo acréscimo da própria ansiedade da mãe ou do pai quando se afastam da criança, por duas razões: (1) por percepção do perigo e insegurança do filho e/ou (2) pelo sentimento de culpa por causarem sofrimento ao próprio filho. Ao reaproximarem-se, os pais reforçam ainda negativamente o medo e a exteriorização do mesmo (ex., os pais não conseguem separar-se do filho quando este chora e voltam para buscá-lo), dado que o comportamento de aproximação promove a tranquilização da criança e, simultaneamente, dos pais.

Assim, é importante que os pais e outros educadores se eduquem no sentido de flexibilizarem as suas próprias crenças absolutistas acerca da maternidade/paternidade e percebam, desde a idade mais precoce, a necessidade de autonomia e socialização dos filhos. Além de proporcionarem situações de exposição gradual ao afastamento, os pais devem aprender a lidar com a incerteza e o risco e ensinarem, aos filhos, a tranquilidade, a segurança e a confiança, mesmo na sua ausência. A permanência em casa de familiares próximos, refeições em casa de amigos, o brincar sozinho na própria casa sem ter a possibilidade de visualizar os pais, convívio com outras crianças, a ida para a pré-escola, contam-se entre as múltiplas estratégias que, com facilidade, se pode adoptar no intuito de educar uma criança para um crescimento fundado na segurança de que os pais permanecem presentes, ainda que objectivamente ausentes. Privar as crianças deste tipo de experiências é fomentar o seu receio, fortalecer as suas expectativas negativas acerca do desconhecimento, comprometer a aprendizagem de mecanismos de enfrentamento e defesa, além de perpetuar a angústia patológica do “colo perdido” ao longo das fases de desenvolvimento seguintes.

Nos Primeiros Anos e na Infância, a Ansiedade não adaptativa traduz-se principalmente em fobias específicas, fobia ao escuro, fobia à escola e ansiedade de separação. Efectivamente, não raramente, birras e amuos marcam os primeiros dias na casa de avós ou de outros familiares próximos, na pré-escola ou em qualquer outro lugar em que os pais não se encontram. “Eu quero a minha mamã”… “Eu quero o meu paizinho”… expressam, entre soluços, níveis elevados de ansiedade na ausência dos pais ou de familiares chegados, designada por ANSIEDADE DE SEPARAÇÃO.