O peso do corpo perfeito no Verão

A aproximação do Verão é a altura propícia para o desenvolvimento de preocupações excessivas sobre a imagem corporal. A nossa cultura tende cada vez mais a reforçar padrões de beleza que se substanciam em ideais de magreza e de elegância praticamente inatingíveis. Os mass media, o grupo de pares, as crenças sociais relacionadas com a imagem que melhor favorece a aceitação dos outros, parasitam a ideia de se ser atraente e agradável aos outros a partir de modelos que constituem a excepção.

Com efeito, muitas mulheres e homens permanecem convencidos que os padrões de beleza vendidos em passerelles e em revistas são a norma, esquecendo-se que, pelo contrário, constituem a excepção e, por isso mesmo, são escolhidos pelas diferentes marcas, estilistas e campanhas publicitárias de todo o tipo.

Assistimos à época de falta de consciência crítica sobre o corpo e o equilíbrio, a imagem e o bem-estar. Perdeu-se este compromisso em proveito duma necessidade veemente de afirmação forçada através de um corpo bem delineado, magro e com as medidas certas. Também os homens sentem este peso, acreditando que chamam a atenção do sexo oposto mais facilmente se tiverem um corpo bem trabalhado e uma pele perfeita. A realidade, porém, não é necessariamente esta.

O problema surge quando a preocupação por uma imagem equilibrada, saudável e atraente, se converte numa doença psíquica, com contornos quase obsessivo-compulsivos, como seja a Anorexia, a Bulimia, a Ortorexia, a Vigorexia, o Binge Eating. Os contornos da obsessão passam pela alimentação, preservação de um peso ideal e, na maioria destas perturbações, pela prática excessiva e descontrolada de exercício físico. Numa fase avançada, e comum a todas estas perturbações, a ansiedade causada pode conduzir à depressão e ao isolamento social, irritabilidade, labilidade de humor, agressividade, e padrões de comportamento completamente desajustados. À supressão de determinados grupos de alimentos da dieta alimentar não sucede uma correcta substituição por outros alimentos com os mesmos compostos nutricionais, o que conduz frequentemente as pessoas com perturbações do comportamento alimentar a anemias, hipervitaminoses ou hipovitaminoses, à carência de oligoelementos ou a doenças mais graves como hipotensão e osteoporose.

Muitas dietas e regimes da moda sem base teórico-científica e sem fundamento assentam em razões culturais e sociais bastante superficiais e, no fundo, com uma preocupação única de venda gratuita de produtos que sejam facilmente consumidos. Se se tratar de uma pessoa com uma estrutura psicológica vulnerável e de contornos obsessivo-compulsivos, reúnem-se as condições necessárias e suficientes para se desenvolverem perturbações de comportamento alimentar muito graves e que podem conduzir, em última instancia, à morte.

A prevenção passa pelo desafio do mito de que a elegância é sinónimo de felicidade e por desenvolver uma atitude de aceitação do próprio corpo. Trata-se, no fundo, de superar a escravidão a que se submetem, sobretudo no Verão, tanto mulheres quanto homens, que vivem sob a obsessão da imagem, do espelho, do tamanho da roupa, do bikini, …. Se por um lado, a pressão do exterior é demasiado intrusiva; por outro, sabemos que todos nós também aspiramos a um ideal de equilíbrio que implica a manutenção e ostentação de uma imagem tão saudável e perfeita quanto possível. Por isso, o nosso compromisso deve ser o de preservar o bem-estar e a qualidade de vida sem incorrer em tentações fáceis, mas pouco saudáveis!

A aproximação do Verão é a altura propícia para o desenvolvimento de preocupações excessivas sobre a imagem corporal. A nossa cultura tende cada vez mais a reforçar padrões de beleza associados à magreza e à elegância. Assistimos à época de falta de consciência crítica sobre o corpo e o equilíbrio, a imagem e o bem-estar. E o problema surge quando a preocupação por uma imagem equilibrada, saudável e atraente, se converte numa doença psíquica, como seja a Anorexia, a Bulimia, a Ortorexia, a Vigorexia ou o Binge Eating.


Sandra Santos Vilaça, 2006